terça-feira, 5 de agosto de 2008

A viagem de Palma (Parte VI)

Ressacaditos, pois então. Acordámos com a boa a saber a papéis de música e uma clave de sol atravessada no estômago. Um “desayuno” muito light quase ao meio-dia, e largámos da Marina Botafoch rumo a Norte. Sugeri então uma praia (Cala) onde estive 3 semanas consecutivas, já iam vão 22 anos, de seu nome – CALA LONGA. Recordo o dia em que vi a repetição do LIVE AID num bar de praia chamado OLIMPIC BAR. Nesse dia comemorava-se o 1º aniversário do concerto, e a TVE repetia o concerto noite dentro, mas a fome continuava a "imperar" na Etiópia. Poucos tugas conheceriam Ibiza nessa altura, pois não havia Low costs, as travessias de barco eram demoradas (6h a Denia), e a oferta hoteleira era pouca, logo cara. Praticamente "Alemanes & Bifes" tomavam conta de todos os tascos. Reinava o hit “People from Ibiza”, que era quase como um hino oficial, só que cantado (com letra)!!!! Nesta praia também bateu a onda do progresso e do betão. O Camping já não existe, o único hotel que existia já foi várias vezes remodelado (hà 8 anos voltei a esta praia e o hotel já tinha merecido obras), e entretanto apareceram mais hotéis, mais apartamentos e o OLIMPIC BAR já foi com os pitos, para que o areal balnear ficasse maior. O espírito continua, pois CALA LONGA ainda é do tipo Family Beach. Fundeámos nesta CALA próximo de uma dúzia de outros veleiros e lanchas, onde registámos o record de temperatura da água – mais de 28 ºC. É obra. Apetece logo beber uma SAGRES MINI e ligar o ar condicionado debaixo de água. O Cap. Salgueiro aproveitou a manhã para fazer actividades de “snorkeling”, que é como quem diz, meteu uns óculos de mergulho e enfiou um tubo na boca enquanto calçava uns sapatitos tipo Pato Donald. É a vantagem de não se ter estragado na noite anterior. Estava fresquinho que nem uma alface, e lá andou mais de 2 horas nas águas de CALA LONGA. No regresso trouxe os bolsos dos calções de banho (não, não fez nudismo) cheios de búzios de considerável dimensão. Destino final – tacho. Depois de almoço volante muito ligeiro, fomos tomar uma espécie de café a um bar de praia e mais 4 dúzias de mergulhos. Assim sim. Talvez fossem umas 4/5 horas da tarde quando largámos com destino a PALMA, nessa que seria a nossa última noite de navegação. Ainda com Santa Eulália del Rio por través, e com uma mareação rumo a PALMA com 15/17 nós de vento e o SOG a registar mais de 5 nós, surgiu em pano de fundo os tais búzios com muitas muitas cervejinhas em procissão. As festas em honra de São Geraldo e Santa Lúzia em Mourisca do Vouga não têm tantos andores. Foi um festival. Em gíria de cervejaria, chamamos de CARROCEL. 5 estrelas e desta vez saiam os tutanos. É sempre bom ter mergulhadores a bordo, e quando estes são cozinheiros, ainda melhor.A foto retrata o tacho depois da guerra! Agora faltavam os atuns, que percorridas mais de 500 milhas ainda não tinham aparecido. Equacionei consultar o Prof. BAMBO, mas o preço do ROAMING certamente que seria superior ao valor do pescado, pelo que optei eu próprio pelo remédio milagreiro. Nada mais certo, que benzer a amostra e fazer uma cruz na cana. Nossa Senhora haveria de ajudar. E lá fomos, somando milhas, com o vento a subir até 20 nós e o barco a disparar 7-7 e qualquer coisa nós. Bom para quem tem pressa, óptimo para quem tem tempo. Ao jantar apareceria “Frango de cebolada à moda do Alentejo de Cima”, cuidadosamente preparado pelo Chefe João e a noite cairia com café e o UIKE. Muito UIKE , numa noite estrelada, calma, numa velejada perfeita de um larguinho com barcos de grandes dimensões a aparecerem no radar e no horizonte mas também (felizmente) ao largo. Ouvia-se alguma música tuga a bordo e tive o privilégio de governar a embarcação toda a noite. O vento cairia depois da meia-noite, as velocidades baixavam para 4 - 3,5 – 3,0 nós e começávamos a avistar o enorme golfo (é mais que baía) de Palma de Maiorca. Depois da entrada entre faróis ainda são 10 milhas, significando que são 25 milhas desde que avistamos um dos faróis. A poluição visual é enorme, pelo que a dificuldade em avistar determinados farolins é enorme. Como íamos em direcção a uma marina que se situa próximo do Aeroporto de Palma, a situação ainda era mais complicada. Coisa que se resolve com a velocidade reduzida. Nestas horas o vento não permitia mais que um SOG de 1,5 nós e a pressa não era muita. Tinha encontro marcado apenas à uma da tarde com um fulano chamado “Boeing da AIRBERLIN”, por isso ainda havia muito relógio para correr. Fundeámos na Praia de Can’Pastilla cerca das 4 da manhã, com o luar instalado nas nossas cabeças. A viagem tinha sido do melhor, pois em 70 milhas foi consumido mais whisky que gasóleo. Pela manhã, amarrámos na Marina, cumprimentámos os LADYBIRD’s que restavam (e respectivas famílias) e fugi para o aeroporto. Na pouca bagagem e na lembrança levo em consciência o sentido de “dever comprido e cumprido”. Poucas avarias, pouco stress, muita vela, boa disposição e grande camaradagem. Num mundo virado às avessas, que mais se poderia pedir ?
- Um atum, diriam alguns.

P.S. – Obrigadão Cap. Salgueiro pelo convite.
FIM

2 comentários:

jc disse...

Ok,todos sabemos que o que é bom acaba depressa!Agora ...Bem-Vindo à realidade.Ahhh, OBRIGADO por teres partilhado esta magnífica aventura aqui neste teu espaço.Valeu.

Capt. Richard J. Rodriguez disse...

Thanks for stopping by my blog>